Sustentabilidade

Mudanças climáticas

As mudanças climáticas, suas causas e consequências, tem sido o tema dominante da agenda ambiental nos últimos anos. Para a indústria do cimento constitui também uma questão de máxima relevância, uma vez que a emissão de CO2 é intrínseca ao seu processo produtivo, seja com a transformação química da matéria-prima em cimento, seja com a queima de combustíveis utilizados para possibilitar essa transformação.

Em escala global, estima-se que as emissões de CO2 da indústria do cimento representam cerca de 5% das emissões totais produzidas pelo homem. No Brasil, segundo o Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa, esta participação é de cerca de metade da média mundial (2,6%). Isto porque uma série de características do processo produtivo, além de diversas ações adotadas pela indústria do cimento no Brasil, algumas há muitas décadas, outras mais recentemente, tem contribuído para a redução significativa das emissões de CO2 e posicionaram a indústria do cimento nacional como referência no combate aos gases de efeito estufa. São elas:

 

Cimentos com Adições

A indústria do cimento nacional tem tradição no uso de cimentos com adições. O aproveitamento de subprodutos de outras atividades e matérias-primas alternativas é realizado há mais de 50 anos no país, prática que só mais recentemente vem sendo cada vez mais adotada no mundo.

A produção de cimentos com adições ao clínquer, com materiais como escórias de alto forno, cinzas volantes, pozolanas artificiais e fíler calcário, além de diversificar as aplicações e características específicas do cimento, propicia a redução das emissões de CO2, uma vez que diminui a produção de clínquer e, consequentemente, a queima de combustíveis e a emissão por calcinação/descarbonatação.

Além disso, os cimentos com adições representam uma solução ambientalmente correta para subprodutos de outros processos produtivos, como escórias siderúrgicas e cinzas de termelétricas. Tudo isso atendendo, acima de tudo, as especificações das Normas Técnicas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

A crescente utilização, desde longa data, de adições ao cimento no Brasil tem representado uma das mais eficazes medidas de controle e redução das emissões de CO2 da indústria. Atualmente, o Brasil apresenta os maiores percentuais de utilização de adições ao cimento no mundo, sendo referência internacional na busca por cimentos com menor emissão.

 

Combustíveis Alternativos

Além dos combustíveis tradicionais utilizados pela indústria do cimento, como coque de petróleo, óleo combustível e carvão mineral, é cada vez mais crescente o uso de combustíveis alternativos no Brasil, através do coprocessamento de resíduos e da utilização de biomassa.

O coprocessamento reaproveita rejeitos de outras atividades em substituição aos combustíveis fósseis. Dessa forma, resíduos com poder energético, como pneus inservíveis, tintas, plásticos, óleos usados e resíduos urbanos devidamente triados são utilizados para alimentar a chama do forno de clínquer, ao mesmo tempo em que são adequadamente destruídos.

Paralelamente, além de eliminar o passivo ambiental representado pelos resíduos, o coprocessamento contribui também para a redução das emissões de gás carbônico do setor, uma vez que muitos desses resíduos utilizados possuem menor fator de emissão por energia produzida, quando comparados aos combustíveis fósseis tradicionais.

Ao mesmo tempo, o coprocessamento de resíduos evita a emissão de gases de efeito estufa desses mesmos resíduos, caso eles fossem destinados a aterros ou incineradores.

A queima de resíduos através do coprocessamento tem aumentado consideravelmente a partir dos anos 2000, representando atualmente cerca de 8% da matriz de combustíveis utilizados pelo setor. Esse percentual, no entanto, ainda se encontra abaixo de países como os da Europa, Estados Unidos e Japão.

O Brasil também é um dos países que mais utiliza biomassa na produção de cimento, com cerca de 7% de participação na sua matriz energética. Essa biomassa é constituída, principalmente, por moinha de carvão vegetal e resíduos agrícolas, como palha de arroz, casca de coco e babaçu, entre outros.

 

Parque Industrial Moderno e Eficiente

A indústria do cimento no Brasil possui um parque industrial moderno e eficiente, com instalações que operam com baixo consumo energético e consequentemente uma menor emissão de CO2 quando comparado a outros países.

Praticamente todo o cimento no país é produzido por via seca (+99%), processo industrial que garante a diminuição do uso de combustíveis em até 50% em relação a outros processos. Além disso, pré-aquecedores e pré-calcinadores reaproveitam os gases quentes da saída do forno para pré-aquecer a matéria-prima previamente à entrada do forno, diminuindo ainda mais o consumo de combustíveis.

 

Emissões de GEE da indústria do cimento

A soma desses três principais pilares alavancou a indústria brasileira para uma posição de vanguarda no que diz respeito às suas emissões de Gases de Efeito Estufa - GEE.

Números da Cement Sustainability Initiative (CSI), que possui o maior banco de dados de emissões de um único setor industrial no mundo, coloca o Brasil, em conjunto com o bloco sulamericano, como aquele que apresenta as menores emissões específicas de CO2 por tonelada de cimento produzido.

Esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que representa um reconhecimento às ações e esforços que vem sendo realizados pela indústria ao longo dos anos, cria um grande desafio para o setor, que é o de continuar produzindo o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

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